O deputado estadual Francisco Nagib, também chamado de Nagibinho, resolveu falar publicamente pela primeira vez sobre as graves denúncias de rachadinha que abriu em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Maranhão. A declaração foi feita nesta segunda-feira (6), durante entrevista ao podcast do blogueiro Leandro de Sá, e rapidamente repercutiu nas redes sociais pelo tom defensivo e pelas contradições apresentadas.

As acusações vieram à tona em maio de 2024, após uma série de reportagens do jornalista Marco Silva, que revelou um suposto esquema estruturado dentro do gabinete do parlamentar. De acordo com assessores e ex-assessores, funcionários eram obrigados a devolver parte significativa de seus salários, prática clássica do crime de rachadinha, com o dinheiro sendo centralizado pelo chefe de gabinete de Nagib.
As denúncias vão além. Segundo os relatos, os servidores também teriam sido coagidos a cancelar seus planos de saúde, desviando cerca de R$ 400 mensais para o mesmo esquema. Um dos denunciantes afirmou que os recursos arrecadados eram usados para pagar aliados políticos, influenciar blogueiros e jornalistas e bancar eventos políticos promovidos por Nagib no interior do estado.
Outro ponto que chama atenção é a lista de nomes ligados ao esquema. Mais de 20 servidores lotados no gabinete do deputado trabalhariam, na prática, em Codó, sem cumprir expediente na Assembleia. Entre eles estariam o diretor da FCTV, Cícero de Sousa; o piloto do Grupo FC Oliveira, José Wilson; o contador da empresa, Weldes Pinto; e até a secretária do empresário Chiquinho do PT, pai do deputado e atual prefeito de Codó.
Durante a entrevista, o clima esquentou quando Nagib foi surpreendido por uma pergunta enviada ao vivo pelo jornalista Marco Silva, questionando diretamente como ele explicava as denúncias. Visivelmente incomodado, o deputado tentou minimizar o caso e desacreditar as reportagens.
“Não, isso aí foi uma denúncia que ele mesmo fez, que bota comprovantes que não existe, aí fez a denúncia, o Ministério Público olhou e disse ‘aqui não tem nada concreto’. Acho que nem avançou isso aí, não foi pra frente. Aí eu também não vou responder algo que não me atinge (…)”, declarou o parlamentar.
A declaração, porém, não condiz com a realidade dos fatos. Diferente do que disse o parlamentar, o Ministério Público não arquivou o caso. Pessoas citadas nas denúncias já foram ouvidas, testemunhas prestaram depoimento e o processo segue em andamento. Nos bastidores, a expectativa é de que novas revelações venham à tona nas próximas semanas, o que pode agravar ainda mais a situação política de Nagibinho.
Enquanto o deputado tenta tratar o escândalo como algo “sem importância”, as denúncias seguem vivas na Justiça — e a rachadinha que ele diz que não abriu em seu gabinete continua no centro de um dos casos mais explosivos da política maranhense recente.

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