Baseada na pesquisa “A responsabilidade das empresas por manifestamente de direitos durante a Ditadura: o caso Folha de S.Paulo”, realizada com o apoio do Ministério Público Federal, a série Folha Corrida apresenta os resultados de uma ampla investigação sobre a atuação de um dos mais poderosos grupos de comunicação do país durante os anos de chumbo. O Grupo Folha e seus dirigentes deram sustentação editorial, financeira e operacional ao golpe de 1964 e à repressão.

A série conta com quatro episódios de cerca de 30 minutos e revela como o Grupo Folha deu apoio à repressão, contratou militares e policiais para atuarem empresa, monitorou e demitiu ilegalmente jornalistas, emprestou carros de distribuição de jornais para perseguir, sequestrar e matar aqueles que lutavam pela democracia no país e se beneficiavam economicamente de ligações com a ditadura.
Durante dois anos a equipe composta por Ana Paula Goulart Ribeiro (UFRJ), Amanda Romanelli (PUC-SP), André Bonsanto Dias (UEM), Flora Daemon (UFRRJ), Joëlle Rouchou (FCRB) e Lucas Pedretti (UERJ) aprofundou as investigações sobre denúncias levantadas no âmbito da Comissão Nacional da Verdade. A pesquisa resultou num inquérito aberto pelo Ministério Público Federal e na série Folha Corrida .
Dirigida por Chaim Litewski, diretor do premiado Cidadão Boilesen (2009), a série será exibida, a partir de maio, pela Plataforma ICL e revelará documentos e relatos inéditos de vítimas, testemunhas e agentes do DEOPS e DOI-Codi de São Paulo.
Diretor – Dados Biográficos: Chaim Litewski, nascido no Rio de Janeiro e formado na Polytechnic of Central London (Westminster University) com especialização em cinema, propaganda e conflito, teve uma carreira marcada por importantes atuações no cenário nacional e internacional. Entre suas experiências, destacam-se atuações na TV Globo (Londres e Rio de Janeiro), direção da Rádio e TV Educativa do Piauí e colaborações com grandes canais como CBC (Canadá), RAI (Itália) e NBC (Estados Unidos), entre muitos outros. Trabalhou na Organização das Nações Unidas em Nova York, como produtor de televisão e chefe de produção audiovisual entre 1991 e 2016. Produziu reportagens sobre emergências humanitárias, direitos humanos, manutenção de paz e meio ambiente em quase 100 países. Sua obra inclui também o documentário premiado “Cidadão Boilesen”, (É Tudo Verdade, 2009), exibido em diversos festivais no Brasil e no exterior. Atualmente, Chaim Litewski se dedica a documentários que abordam, principalmente, a história recente do Brasil, com títulos como “Golpe de Ouro” (2022), “A Guerra da Lagosta” (2024), e Brasil para Principiantes (2025). Foi produtor executivo do documentário “The Quiet Diplomat” (EUA, 2024), sobre o ex-secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. Em 2023, lançou o documentário investigativo “Morcego Negro”, dirigido com Cleisson Vidal, sobre Paulo Cesar Cavalcante Farias (PC Farias), Menção Honrosa, É Tudo Verdade, 2023.
Cleisson Vidal – Produtor
Uma das performances da Terra Firme é realizar projetos que buscam contribuir para o conhecimento e compreensão do mundo através da complexidade das relações humanas, das ideias e do papel do Estado/Nação em suas relações com os cidadãos.
Reconhecer os meios de comunicação e da mídia como conectores desses diferentes espaços e reprodutores ideológicos da sociedade de classe é essencial para uma leitura crítica de nossos tempos.
Nesse sentido, a série Folha Corrida aborda, de forma direta, um tema bastante citado, mas pouco explorado, que é a forma, em seus limites ou excessos, que empresas de comunicação apoiam e cooperam com a ditadura militar.
O objetivo foi sair do campo da suspeita e mergulhar na confirmação documentada, no depoimento testemunhal usando a narrativa audiovisual como forma de linguagem.
O projeto chegou à produção com uma pesquisa sólida, com multiplicidade de fontes e discursos, mas que, no total, convergiam claramente. Foram muitas conversas, escrutínios e debates.
Como produtor, fiz questão de validar cada juízo de valor emitido, verificar cada fato e afirmação. Assim, entre a responsabilidade e o prazer de lidar com essas fontes históricas, algumas inéditas, li todos os documentos apresentados, sempre questionando o porquê de sua existência, sob quais condições foram produzidas e que ações produziram. Ouvi todas as entrevistas e tentei mergulhar no universo de cada testemunho. Isso foi fundamental para obter a segurança necessária para a realização do projeto.
O processo de busca e obtenção de financiamento do projeto pode ser considerado como quixotesco. Por ser uma série que aborda um dos principais grupos da mídia do país, o apoio foi, naturalmente, restrito. Por isso, financiamos com recursos próprios.
Entendemos, desde o início, a importância fundamental do projeto. A partir daí montamos uma equipe com pessoas comprometidas e talentosas, que conseguiram transformar fontes absolutamente distintas (documentos, jornais, fotografias, reportagens, entrevistas e depoimentos) em linguagem audiovisual clara, coesa, acessível e, acima de tudo, dramática.
A colaboração entre os criadores foi fundamental para o sucesso da série. Os talentos contratados trouxeram conhecimento, consciência, clareza e visão. Nosso objetivo, desde a gênese, foi criar uma dinâmica colaborativa, onde direção, pesquisa, roteiro, montagem, arte e trilha sonora obteve um espaço de troca para se conhecerem e conhecer o conceito e fundamentos da série, encorajando a equipe de criação a opinar, divergir e, por fim, convergir em potência, o que foi fundamental para realizar um projeto de tal envergadura em um prazo tão curto. Foram 09 meses de trabalho incessante. Só tenho a agradecer a essa equipe brilhante.
EXIBIÇÃO
A partir de 27 de abril de 2025, na plataforma ICL – Instituto Conhecimento Liberta.

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