O Maranhão está entre os estados brasileiros com maior número de homens procurados pela Justiça por feminicídio ou tentativa de feminicídio. Levantamento baseado no Banco Nacional de Medidas Penais e Mandados de Prisão (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aponta que 28 suspeitos ou condenados no estado possuem mandados de prisão expedidos que ainda não foram cumpridos, permitindo que acusados de crimes graves contra mulheres continuem em liberdade.

Os dados revelam que, na maioria dos casos, os autores já foram identificados e tiveram ordens judiciais decretadas, mas as determinações não foram efetivamente executadas. No cenário nacional, o estudo analisou 336 mandados de prisão relacionados a feminicídios ocorridos entre o fim da década de 1990 e 2023. O Maranhão aparece atrás apenas de São Paulo, com 108 foragidos, e da Bahia, com 32, ficando à frente do Pará, que registra 27 casos.

Grande parte desses mandados é de prisão preventiva, medida usada para manter o suspeito preso durante o andamento do processo, o que indica que o principal gargalo está no cumprimento das decisões judiciais, e não na apuração dos crimes. Entre os casos emblemáticos no Maranhão está o de Joilson Nascimento dos Santos, condenado por tentativa de feminicídio contra a esposa em 2019, após agressões brutais ocorridas em 2016, na zona rural de Presidente Juscelino. Mesmo condenado a mais de nove anos de prisão, ele fugiu e segue com mandado em aberto.

O cenário estadual reflete uma realidade nacional alarmante. Em 2025, o Brasil registrou 1.530 feminicídios, o maior número da série histórica, o equivalente a quatro mulheres assassinadas por dia. Diante desse quadro, governo federal, Congresso Nacional e Judiciário lançaram o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, com ações voltadas à prevenção, proteção das vítimas, responsabilização dos agressores e garantia de direitos às mulheres. No Maranhão, os mandados em aberto simbolizam não apenas estatísticas, mas mulheres vitimadas e famílias que ainda aguardam respostas efetivas da Justiça.